quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Terra dos Homens

"Não queres te inquietar com os grandes problemas, e fizeste um grande esforço para esquecer a tua condição de homem. Não és o habitante de um planeta errante, e não lanças perguntas sem solução: és um pequeno burguês de Toulouse. Ninguém te sacudiu pelos ombros quando ainda era tempo. Agora, a argila de que és feito já secou e endureceu, e nada mais poderá despertar em ti o músico adormecido, ou o poeta, ou o astrônomo que talvez te habitassem..."

Saint-Exupéry 

Com licença poética - Adelia Prado


Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo.  Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.


sábado, 30 de março de 2013

Manuel Bandeira




Meu caro Rui Ribeiro Couto, a mocidade
Promete mais que dá. Sonhamos se dormimos,
E sonhamos quando acordados, Altos cimos
Da aspiração, que em torno vê só a intensidade!
Assim, amigo, foi você; assim eu fui.
Mas terminada a mocidade, o sonho rui?
Não, não rui. Pois o sonho, amigo, não é cousa
Feita de pedra e cal: o sonho é cousa fluida.
Enquanto dura a mocidade, que não cuida
Senão de se gastar, nem para, nem repousa,
Vai de despenhadeiro a outro despenhadeiro.
Mas com o tempo serena e flui como um ribeiro.

Um dias as ilusões de Vitorino Glória
Se terão dissipado. Em cada nervo e músculo
Sentirá ele, na doçura do crepúsculo,
O que houve de melhor na sua louca história.
Apaziguado há de sorrir ao sonho roto,
E encontrará, dentro em si mesmo, o pouso, o couto

sexta-feira, 29 de março de 2013

Nelson Rodrigues



"Se o homem soubesse amar não elevaria a voz nunca, jamais discutiria, jamais faria sofrer. Mas ele ainda não aprendeu nada. Dir-se-ia que cada amor é o primeiro e que os amorosos dos nossos dias são tão ingênuos, inexperientes, ineptos, como Adão e Eva. Ninguém, absolutamente, sabe amar. D. Juan havia de ser tão cândido como um namoradinho de subúrbio. Amigos, o amor é um eterno recomeçar. Cada novo amor é como se fosse o primeiro e o último. E é por isso que o homem há de sofrer sempre até o fim do mundo – porque sempre há de amar errado."

sexta-feira, 22 de março de 2013

sexta-feira, 15 de março de 2013

Cura


Não é outro país. Não é outra língua. Nem tão distante de casa. 
Mas a sensação é meio que - a viagem começou! 
E apesar do que possa parecer aqui, não são eles precisam tanto de mim.
Sou eu quem mais procura cura nisso tudo. 
Eu que busco minha alma subindo nessa serra todas as manhãs...

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

A Onda

 
Sonhei com uma onda gigante.
E no meu sonho, a onda gigante
Que eu pensava que seria minha destruição,
Foi justamente aquilo me impulsionou adiante.

Seja bem vinda mudança. Eu não vou me afogar

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Nos Braços do Rei do Orubá



Você foi o sentinela. Você nos avisou com a voz que não tinha, com todas as forças que não tinha. Com todo cuidado que não tinha. Ouvimos teu grito mudo e é certo que entendemos sua mensagem. Chegamos tarde demais? Não. Não será tão tarde para os outros. Então descansa sereno, pequeno, nos braços do Rei do Orubá...

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

O Santo Grau



Existe o ser , o ser oficial e o sentir ser. O grau nos faz ser o que somos oficialmente, mas só o paciente tem o poder de nos fazer sentir que somos médicos . É ele que num mundo invisível põe suas mãos sobre minha cabeça e me abençoa. Ele é quem me permite verdadeiramente ser e sentir assim... É ele quem gradua o meu coração...

 

sábado, 17 de novembro de 2012

Ordem das coisas



As vezes eu tenho a impressão de que as coisas na vida ficam esperando para acontecer todas de uma vez. Coisas, boas ou ruins, gostam de andar acompanhadas. Nem os acontecimentos gostam de ser sozinhos. 

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Planejamento


Eu não tenho bem um plano para o futuro. 
Eu não tenho nada escrito num papel. 
O que eu tenho é mais um sentimento...


segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Ciclo Cotidiano




Você toma a contragosto uma dose de realidade. 
Seu coração fica angustiado, 
o presente parece um absurdo e o futuro sombrio .

Mas daí te ocorre : não precisa ser assim.

- Outro mundo é possível.



Eu me levanto e a fantasia recomeça :)

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Pôr-do-Sol



"....  Seria o ocaso mais bucólico que o amanhecer? Afinal, estamos falando do mesmo evento que ocorre de maneira contrária. Como um espelho, imagem real e invertida. Será que à tarde estamos mais sensíveis após um dia inteiro de labuta e a descida do sol leve com ela nossas angústias. Acho que não, há tempos que o ciclo claro-escuro deixou de marcar o começo e o fim de nossos dias, e isso tem deixado nossa pituitária e seu hormônio melatonina “loucos” no controle do ritmo circadiano - é, meu caro leitor, não são só as plantas que precisam de luz para sobreviver. Afinal, desde a invenção do relógio que a coincidência dos ponteiros às zero horas é que têm marcado a transição de nossos dias.Mas se não são nossos problemas que estão sendo levados com fim de mais um dia, será que nosso fascínio provém de termos observado a cada dia menos o nascer do sol que o “morrer” do sol, afinal a cada dia dormimos mais tarde, e acordamos mais atrasados.  Talvez não, afinal, enclausurados dia após dia em nossas edificações, não temos mais, igualmente, conseguido observar o poente. Em verdade, a cada dia estou mais convencido de que a beleza do pôr-do-sol resida nos nossos sentidos. Os sentidos – no caso a visão – são instrumentos biológicos que nos ligam ao mundo “real” através de estímulos elétricos. Sim, o poente tem um brilho maior porque ao final do dia maior quantidade de poeira se encontra em suspensão na atmosfera, e a incidência dos raios, iluminando essas partículas (a sujeira de outrora) confere a esse momento uma cor laranja-avermelhada, simplificada por Djavan como Lilás. Seja como for, o que eu sei é que “eu quero é ver o pôr-do-sol, lindo como ele só”, esse raro espetáculo cotidiano da natureza que nos deixa em conexão direta com Deus, para que em meu Epitáfio não esteja escrito: “devia ter complicado menos, trabalhado menos, ter visto o sol se pôr...”.
Bruno Pessoa

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Gratidão



Á você, que quando entregou seu coração em minhas mãos fez de mim mais do que eu pensei 
que poderia ser um dia, agradeço! Oferecendo a minha vida inteira para cuidar da tua...






segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Encontros e Despedidas


 
 
"O imprevisto acontece e alguém te encontra.
E te reencontra.
Te reinventa.
Te reencanta.
Te recomeça...."
                             

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Tragédia



 
Medo. Não de me perder. Não de não chegar.
Mas de encontrar a fonte, e não ter mais sede...

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Faz parte do plano, entende?


"O neoliberalismo funciona melhor num ambiente de democracia eleitoral formal, mas no qual a população é afastada da informação, do acesso e dos fóruns públicos indispensáveis a uma participação significativa na tomada das decisões."

"A democracia liberal numa casca de noz: debates triviais sobre questões menores entre partidos que
seguem basicamente as mesmas políticas pró-grande empresa, independentemente de diferenças formais e de discussões de campanha. A democracia é admissível desde que o controle dos negócios esteja fora do alcance das decisões populares e das mudanças, isto é, desde que não seja democracia."


"O sistema neoliberal tem, por conseguinte, um subproduto importante e necessário – uma cidadania despolitizada, marcada pela apatia e pelo cinismo. Se a democracia eleitoral pouco afeta a vida social, é irracional dedicar-lhe demasiada atenção"

Fragmentos do livro "O Lucro  ou as Pessoas" de Chomsky Noam