domingo, 21 de agosto de 2011

Pergunta


                                         Faith,
As vezes não te dá um medo medonho de que depois
de tanta busca a gente acabe não encontrando nada, não?

É Tempo de Viajar



"O simbolismo da viagem, particularmente rico, resume-se no entanto na busca da verdade, da paz, da imortalidade, da procura e da descoberta de um centro espiritual. As via gens são igualmente (...) a série de provas preparatórias para a iniciação, encontradas nos mistérios gregos, na maçonaria e ns sociedades secretas chinesas. (...) A viagem exprime um desejo profundo de mudança interior, uma necessidade de experiências novas, mais do que de um deslocamento físico. Segundo Jung, indica uma insatisfação que leva à busca e à descoberta de novos horizontes. (...) Em todas as literaturas, a viagem simboliza, portanto, uma aventura e uma procura, quer se trate de um tesouro ou de um simples conhecimento, concreto ou espiritual. Mas essa procura, no fundo, não passa de uma busca e em alguns casos uma fuga de si mesmo"







domingo, 14 de agosto de 2011

Père



Le rêve du héros, c'est d'être grand partout et petit chez son père "
Victor Hugo

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Menino-do-sorriso-doce [2]



Hoje encontrei o menino-do-sorriso-doce outras vez.
Está tomando a medicação, e me deu um abraço!
A vózinha dele está melhor da queimadura.
Se Deus quiser, ele não tem TB.


Ps.: Para entender esse post melhor, leia o anterior Sorriso Doce :)


segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Uma garota estranha







"La tête ailleurs et ce petit air audacieux
D'un chat sauvage sous une ombrelle.
Elle ne parle pas notre langage.
Elle est toujours dans les nuages."

- La Belle et La Bête

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Abortamento



 Era uma vez uma flor amarela.
Mas ela nem conseguiu vencer nem o tédio, nem a náusea, nem o crack.


- Minha florzinha não teve a sorte da de Drummond.
 

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Explicação



Uma vez, quado eu tinha 4 anos, meu pai me levou pra voar de ultraleve. Eu nunca mais esqueci. O barulho do monomotor, as asinhas coloridas do avião, o cheiro do mar, todo aquele azul, o vendo assanhava meus cachinhos. O braço firme do meu pai me sergurava. Era tão perfeito. Eu estava tão contente. Uma vez, quado eu tinha 4 anos, meu pai me levou pra voar de ultraleve. E eu nunca mais pude por os pés no chão outra vez.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Ensinamento

"Minha mãe achava estudo
a coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento."
Adélia Prado 



sábado, 30 de julho de 2011

Amor, Conhecimento e Compaixão


Três paixões, simples, mas irresistivelmente fortes, tem governado a minha vida: a ânsia de amar, a busca do conhecimento e uma insuportável compaixão pelo sofrimento da humanidade. Essas paixões, como fortes ventos, têm me impelido de um lado para o outro, num caminho caprichoso, por sobre um profundo oceano de angústias, que chega à beira do desespero.

Procurei o amor, primeiro, porque ele trás êxtase êxtase tão imenso que eu ofereceria todo o resto da minha vida em troca de umas poucas horas desse prazer. Eu o procurei, também, porque ele ameniza a solidão aquela terrível solidão na qual uma consciência em pedaços se paralisa nas franjas do mundo num insondável abismo frio e sem vida. Eu o busquei, finalmente, porque na união do amor eu vislumbrei, em mística miniatura, a suposta visão do paraíso que santos e poetas imaginaram. Isto foi o que procurei, e embora possa parecer demasiado bom para a vida humana, foi o que finalmente eu encontrei.

Com a mesma intensidade busquei o conhecimento. Desejei entender os corações dos homens. Eu quis saber por que as estrelas brilham. E tentei apreender o poder pitagórico que faz com que um número flutue por sobre o fluxo. Um pouco disso, não muito, eu consegui. Amor e conhecimento, tanto quanto foi possível, elevaram-me em direção ao paraíso.

Mas a compaixão sempre me trouxe de volta à Terra. Ecos de gritos e de dor reverberam no meu coração. Crianças famintas, vítimas torturadas por opressores, velhos desassistidos como um odioso fardo para seus filhos, e o mundo inteiro de solidão, miséria e sofrimento, fazem um arremedo do que a vida humana deveria ser. Eu desejo minorar o mal, mas não posso, e sofro também.  Esta tem sido a minha vida. Eu a entendo como uma vida digna, e prazerosamente a viveria outra vez se uma oportunidade me fosse dada

Bertrand Russell

terça-feira, 19 de julho de 2011

Losers

“Não temos amado, acima de todas as coisas.
Não temos aceito o que não se entende porque não queremos passar por tolos. Temos amontoado coisas e seguranças por não nos termos um ao outro. Não temos nenhuma alegria que já não tenha sido catalogada. Temos construído catedrais, e ficado do lado de fora pois as catedrais que nós mesmos construímos, tememos que sejam armadilhas.

Não nos temos entregue a nós mesmos, pois isso seria o começo de uma vida larga e nós a tememos. Temos evitado cair de joelhos diante do primeiro de nós que por amor diga: tens medo. Temos organizado associações e clubes sorridentes onde se serve com ou sem soda. Temos procurado nos salvar mas sem usar a palavra salvação para não nos envergonharmos de ser inocentes. Não temos usado a palavra amor para não termos de reconhecer sua contextura de ódio, de amor, de ciúme e de tantos outros contraditórios. Temos mantido em segredo a nossa morte para tornar nossa vida possível. Muitos de nós fazem arte por não saber como é a outra coisa. Temos disfarçado com falso amor a nossa indiferença, sabendo que nossa indiferença é angústia disfarçada. Temos disfarçado com o pequeno medo o grande medo maior e por isso nunca falamos no que realmente importa. Falar no que realmente importa é considerado uma gafe.

Não temos adorado por termos a sensata mesquinhez de nos lembrarmos a tempo dos falsos deuses. Não temos sido puros e ingênuos para não rirmos de nós mesmos e para que no fim do dia possamos dizer “pelo menos não fui tolo” e assim não ficarmos perplexos antes de apagar a luz. Temos sorrido em público do que não sorriríamos quando ficássemos sozinhos. Temos chamado de fraqueza a nossa candura. Temo-nos temido um ao outro, acima de tudo. E a tudo isso consideramos a vitória nossa de cada dia."

Clarice Lispector