quarta-feira, 30 de maio de 2012
quinta-feira, 10 de maio de 2012
A Casa de Dona Tida
Não chove. As vacas morreram no caminho. Seu Rui. O vinho do Vale São Francisco. O Queijo Coalho de Cachoeirinha. João. Chico. O Chico, dos livros de geografia, de história e dos contos que ouvi. Olha o Velho Chico ali. Tão perto. E o dilema: tão seco, tão perto. A lua cheia. O luar do sertão das músicas que ouvi. A noite clara. A pele escura. Os Praiás. Os índios como eu. Cafusos como eu. Confusos como eu. Amigos meus. Não chove. O Vaqueiro. As frutas têm nomes que eu não sei. O preço do feijão subiu. Não chove. O pé de Pau. O galo que me acorda toda manhã. A casa de Dona Tida. O menino que chora a noite inteira. A poeira da estrada. O Pena Branca. As Aldeias. Bença vó. Todas as estrelas no céu das entranhas de Paranambuco. A pedra do índio. As pessoas que adoecem como eu. Que sonham como eu. A aldeia que é o mundo. A calma. O olhar de Dona Tida. O Toré. O cachorro doente. Passarinho que dorme muito cedo acorda de cabeça pra baixo. A poesia. A melodia. Não sei porque algo me lembra Monteiro Lobato. Doze filhos.O que pensa Dona Tida quando olha assim? O picolé de imbu. Pankararu. Tia, olha o que eu trouxe para você...
quarta-feira, 2 de maio de 2012
Talvez
Sendo últil talvez eu faça sentido, não sei. A verdade é que ando meio perdida, e não sei mais de mim. Talvez a aparente bondade seja apenas efeito colateral de toda essa confusão. Algo sempre queima para poder iluminar...
terça-feira, 1 de maio de 2012
Felicidade
Essa felicidade que supomos, árvore milagrosa que sonhamos
toda arriada de dourados pomos existe sim;
mas nós não a encontramos,
porque está sempre apenas onde a pomos
e nunca a pomos onde nós estamos...
Vicente de Carvalho
toda arriada de dourados pomos existe sim;
mas nós não a encontramos,
porque está sempre apenas onde a pomos
e nunca a pomos onde nós estamos...
Vicente de Carvalho
sábado, 28 de abril de 2012
Sonho de um Sonho - Drummond
Sonhei que estava sonhando
e que no meu sonho havia
outro sonho esculpido.
Os três sonhos sobrepostos
dir-se-iam apenas elos
de uma infindável cadeia
de mitos organizados
em derredor de um pobre eu.
Eu que, mal de mim! sonhava.
Sonhava que no meu sonho
retinha uma zona lúcida
para concretar o fluido
como abstrair o maciço.
Sonhava que estava alerta,
e mais do que alerta, lúdico,
e receptivo, e magnético,
e em torno a mima se dispunham
possibilidades claras,
e, plástico, o ouro do tempo
vinha cingir-me e dourar-me
para todo o sempre, para
um sempre que ambicionava
mas de todo o ser temia...
Ai de mim! que mal sonhava.
Sonhei que os entes cativos
dessa livre disciplina
plenamente floresciam
permutando no universo
uma dileta substância
e um desejo apaziguado
de ser um ser com milhares,
pois o centro era eu de tudo
como era cada um dos raios
desfechados para longe,
alcançando além da terra
ignota região lunar,
na perturbadora rota
que antigos não palmilharam
mas ficou traçada em branco
nos mais velhos portulanos
e no pó dos marinheiros
afogados em mar alto.
Sonhei que meu sonho vinha
com a realidade mesma.
Sonhei que o sonho se forma
não do que desejaríamos
ou de quanto silenciamos
em meio a ervas crescidas,
mas do que vigia e fulge
em cada ardente palavra
proferida sem malícia,
aberta como uma flor
se entreabre: radiosamente.
Sonhei que o sonho existia
não dentro, fora de nós,
e era toca-lo e colhe-lo,
e sem demora sorve-lo,
gasta-lo sem vão receio
de que um dia se gastara.
Sonhei certo espelho límpido
com a propriedade mágica
de refletir o melhor,
sem azedume ou frieza
por tudo que fosse obscuro,
mas antes o iluminando,
mansamente convertendo
em fonte mesma de luz.
Obscuridade! Cansaço!
Oclusão de formas meigas!
Ó terra sobre diamantes!
Já vos libertais, sementes,
germinando à superfície
deste solo resgatado!
- Carlos Drummond de Andrade
quarta-feira, 18 de abril de 2012
Aos Meus Amigos
"Am I awake ? Am I a shape, walking down in a peaceful sleep ? Did I dream out loud ?
For all I know that's only fate that gathered you around this place
And I stare at you, feeling so blessed that I got to cross your way my friend..."
And I stare at you, feeling so blessed that I got to cross your way my friend..."
Obrigada por cruzarem meu caminho. E por caminharem comigo...
Bruno Calife, Bruno Costa, Clarissa Pontes, Anselmo Queiroz
Helton Cavalcanti, Leo Ely, Livia Gallindo e Erika Maranhão
terça-feira, 17 de abril de 2012
O Médico e o Monstro?
Acontece alguma coisa muito delicada quando um médico se torna empresário da saúde. Às vezes as coisas parecem confusas, e é preciso tomar cuidado para que o empresário não destrua o médico, só isso. Para que o capital não destrua a arte.
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terça-feira, 3 de abril de 2012
Sobre Esperança - Sherwin Nuland (TEDTalk)
"A man, to be greatly good, must imagine intensely and comprehensively; he must put himself in the place of another and of many others; the pains and pleasure of his species must become his own" Percy Shelley
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