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terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Areia


São seis anos acumulando grãos de areia. Enfim, ao final temos uma duna.
Mas quando foi que deixamos de ser grãos e passamos a ser duna?

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Qual o propósito?


There is one thing in this world that you must never forget to do. If you forget everything else and not this, there is nothing to worry about; but if you remember everything else and forget this, then you will have done nothing in your life. It is as if a King has sent you to some country to do a task, and you perform a hundred other services, but not the one He sent you to do. So human beings come to this world to do particular work. That work is the purpose, and each is specific to the person. If you do not do it, it is as though a  priceless Indian sword were used to slice rotten meat. It is a golden bowl being used to cook turnips, when one filing from the bowl could buy a hundred suitable bowls. It is a knife of the finest tempering nailed into a wall to hang things on.

From “The Real Work,” by Persian poet and
mystic Jalal ad-Dın Muhammad Rumi,
aka Rumi (1207–1273)

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Time of Death


Acabo de chegar do plantão e me sinto uma inútil. Incapaz. Incompetente. Impotente. Uma merda. A morte resolveu brincar lá pelo hospital essa noite. E deixar no chão um rastro sangue. Transfixar o coração com uma bala. E assistir um pai perder seu filho. Vida Loka tatuada na barriga. Acabou a vida. Acabou a loucura. E foi feito tudo que poderia ser feito. E não havia nada que pudesse ser feito. A morte resolveu visitar a mocinha cansada sentada no leito olhando a gente passar. Uma parada. Ambu. Massagem. Ambu. Massagem. Atropina. Adrenalina. Ô de casa? Se foi. Não mora mais ninguém ali - e a morte olhando pro nosso desespero, sorri. Me sinto suja. Preciso de um banho quente para lavar essa morte de mim...

quinta-feira, 25 de março de 2010

Medthinking

Acho muito bonito quem pode dizer que sempre quis ser alguma coisa. Eu não sou tão constante assim - não que eu não soubesse o que queria ser, meu problema sempre foi querer ser todas as coisas. E eu não acho que a gente nasce predestinado a ser "tal coisa" ou é condenado a viver infeliz e insatisfeito pra sempre. Acho que é a gente que escolhe, é uma decisão que a gente toma... tipo casar. E eu acabei escolhendo medicina. E quando a gente escolhe medicina,todo mundo fica feliz e orgulhoso por que é lindo e maravilhoso e tal.

Mas quando a gente chega na metade do curso (sim, estou mais perto do fim do que do começo!) a gente começa a ter uma visão mais real da coisa e percebe que médico tem uma vida de cão. Primeiro que todo mundo acha que por você fazer medicina, já sabe tratar tudo, a causa de todas as doenças e o porquê de todas as coisas que acontecem no corpo humano (quem se importa se você é 1º período?). Daí você começa a ir pro PSF e o médico te acha um atraso na vida dele porque você não sabe prescrever, nenhum remédio de verme sequer. Aí a gente cresce passa a ir pro hospital e dar plantão. Descobrimos a existência da escala: Staff, R2, R1, Doutorandos, Enfermeiras e você na base da cadeia alimentar - o acadêmico. Você estuda, estuda, estuda, estuda, mas nunca é suficiente e todo mundo espera que você já saiba das coisas. Quando você é promovido a doutorandando passa 2 anos tendo que agir como médico e office boy at the same time! A gente passa 6 anos estudando pra no final "ser médico" não ser suficiente e você precisar ser mais alguma coisa (fazer uma residência) - o que vai custar mais alguns 2,3,4,5 ou 6 anos de trabalho escravo, residindo no hospital, passando noites e noites acordado e recebendo MUITO MAL. Ê lerÊ!

Pois é. É difícil, eu sei que vai ficar pior. Eu sei que poderia ter escolhido outra coisa. Sei que poderia ser feliz de outro jeito também. Mas eu amo tudo isso. São 2h da manha e cheguei do plantao. Como eu me sinto? Realizada.

domingo, 15 de novembro de 2009

Remissão Espontânea

Foi um termo que nós médicos inventamos
para quando Deus resolve curar as pessoas
sem a ajuda da gente.