segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Pacientemente

Quando eu estiver triste
se puder, ouça pacientemente
tudo que eu tiver para dizer
mesmo que eu não pareça
querer chegar em lugar nenhum

não é pra fazer sentido
é pra fazer sentir melhor (...)

sábado, 14 de novembro de 2009

A revolução do coração (...)

Planos

Eu gosto de fazer planos. Arquitetar minhas idéias, tentar fazer as coisas darem certo. Eu gosto de por o mapa em cima da mesa e imaginar a viagem. Gosto de fazer planos mirabolantes. Gosto de planejar mesmo sabendo que não pode acontecer. Gosto de planejar até os imprevistos. Se acontecer isso, eu isso. Se acontecer aquilo, eu aquilo. Gosto de estar preparada, e de apostar o que eu tiver. Mas as vezes os planos falham, e tantas vezes eu mudo os meus planos. E é cansativo ter que apagar, recomeçar, desenhar tudo de novo (...)

Mas os Teus planos não mudam. E em vez de ficar planejando noites a fio, talvez eu fosse mais feliz se deitasse tranquila e me preocupasse apenas em seguir o Teu plano. Teu plano perfeito pra mim.

domingo, 8 de novembro de 2009

Recife


No ponto onde o mar se extingue e as areias se levantam cavaram seus alicerces na surda sombra da terra e levantaram seus muros. Depois armaram seus flancos: trinta bandeiras azuis plantadas no litoral. Hoje, serena flutua, metade roubada ao mar, metade imaginação, pois é do sonho dos homens que uma cidade se inventa.


Carlos Pena Filho

Relicário

Outro dia peguei minha mãe furando a parede do escritório. Fiquei surpresa quando percebi que as obras de arte a serem penduradas na parede eram minhas e da minha irmã. Desenhos de pintura a dedo de 1992, telinhas pintadas nas aulas de arte de 1997. Meu Deus, como o tempo passou. E como eu lembraria disso se não fossem os quadros pendurados na parede?

Gente

Às vezes me dá enjôo de gente.
Depois passa e fico de novo toda curiosa
e atenta.
E é só.

Clarice Lispector

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Traduzir-se

Uma parte de mim é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim é multidão:
outra parte estranhezae solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Ferreira Gullar