domingo, 11 de setembro de 2011

Parteira de Belém


(...) E então, a Eternidade, a Infinitude, a Imensidão de todo o Universo, o Brilho de todas as estrelas, todo o Desconhecido, todo Som, toda Poesia, toda a Música, o Princípio de tudo, a Palavra por meio do qual todas as coisas foram criadas. A Árvore da Vida se despiu de toda sua Glória e se transformou em grão. Grão de menino: que nem chora, nem reinvidica e cuja existência poderia muito bem ser ignorada. Quem iria dizer que Ele preparava a maior revolução da história? - grandes revoluções são assim, começam na surdina. O Grão de menino foi se dividindo, e dividindo se multiplicou. Como fez com aquele pedaço de pão e os peixinhos. Grão que vai sendo tecido em girino. Digo, Menino. Mãos e pés, um coração. Galopando.  Mergulhado na escuridão daquele ventre, o Espírito pairava sobre as águas. 

Vieste habitar em nossa pequenitude. Ah Menino Deus, que evento teu nascimento! Todo o Universo parou para te assistir. As estrelas como holofotes em cima de Ti. Que sorte a minha estar ali (...)  E quando chegou a hora, a Vida veio a mim, como que em um mergulho:  azul, pulsante, de olhos  negros bem abertos e com seus bracinhos extendidos tentando me tocar. Eu Te deixei me tocar. Como não o faria?  E nunca me senti tão amada. E nunca senti tanta paz. Como naquela noite inesquecível, em que a tua Vida veio a mim.


Um comentário:

  1. Lindo... quase pude imaginar os animais, quietamente, assistindo o nascimento do menino - ouvindo o choro e aproximando-se dele com humildade, por naturalmente saberem que dignos não eram, mas presenciaram o mais precioso parto de todas as épocas.

    Lindo poema, Nine. Me passa teu email - nao encontrei aqui no site.

    Abraços,

    Mima.

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