sexta-feira, 30 de dezembro de 2011



Engraçado como nós precisamos de ciclos, de ritos. Precisamos de começos e fins. Precisamos dar a nós mesmos uma nova chance. Um Re-começar. Uma desculpa pra fazer novos planos, traçar novas metas, trilhar outros caminhos. Ou mesmo continuar o velho caminho, mas de fôlego novo. Que a gente nunca esqueça que quem decide quando termina um ciclo e começa outro somos nós, não o calendário. Mas de todo jeito que 2012 seja um ano maravilhoso, e ainda que seja the end of the world as we know it, que possamos nos sentir fine.

domingo, 18 de dezembro de 2011

New Beginning - Tracy Chapman


The whole world's broke and it ain't worth fixing
It's time to start all over make a new beginning
There's too much pain too much suffering

Let's resolve to start all over make a new beginning
Now don't get me wrong i love life and living
But when you wake up and look around at everything that's going down
All wrong you see we need to change it now this world with too few happy endings

We can resolve to start all over make a new beginning
Start all over
Start all over
Start all over


The world is broken into fragments and pieces
That once were joined together in a unified whole
But now too many stand alone - there's too much separation
We can resolve to come together in the new beginning



Start all over
Start all over
Start all over


We can break the cycle - we can break the chain
We can start all over - in the new beginning
We can learn, we can teach
We can share the myths the dream the prayer
The notion that we can do better
Change our lives and paths
Create a new world and over make a new beginning



We need to make new symbols
Make new signs
Make a new language
With these we'll define the world
Make a new beginning

Risonha

Eu nunca vou esquecer
Que na noite que a gente se conheceu
A lua estava sorrindo.
E você sorria também
E eu (...)

E para mim, todas as pessoas que passavam sorriam
E as vendedoras nas barracas sorriam,
Sorria a rua, e todas as estrelas sorriam no céu
Acho até que, se brincar, Deus lá de cima
Olhava pra gente sorrindo também

Nunca vou esquecer que na noite risonha que a gente se conheceu
Tocava Chico.

E no fundo, acho que o que a gente já sabia que seria obrigado a ser feliz


segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Fome



“Mas não é agindo apenas sobre o corpo dos indivíduos, degradando-lhes o tamanho, mirrando-lhes as carnes, roendo-lhes as vísceras e abrindo-lhes chagas e buracos na pele, que a fome aniquila o homem. É também atuando sobre seu espírito, sobre sua estrutura mental, sobre sua conduta social.

No estudo da influência da fome sobre o comportamento humano devemos considerar, em separado, a eventualidade da fome aguda das épocas de calamidades e a da fome crônica, latente ou específica.

Nenhuma calamidade é capaz de desagregar, tão profundamente e num sentido tão nocivo, a personalidade humana como a fome, quando atinge os limites da verdadeira inanição. Fustigado pela necessidade imperiosa de comer,o homem esfomeado pode exibir a mais desconcertante conduta mental. Seu comportamento transforma-se como o de qualquer outro animal submetido aos efeitos torturantes da fome(...)
Josué de Castro, 1957

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Deus, me ensina a dançar?



"Nietsche disse que jamais poderia crer num Deus que não dançasse. E ele está certo. Estava. Porque Jesus de Nazaré é Deus que dança. O pai do filho pródigo não só manda botar um anel no dedo, sandália nos pés, a dar ao filho a melhor roupa, mas também manda matar um novilho cevado; mas também manda contratar a melhor banda da cidade; e chama os convidados. E é o irmão mais velho, que tem uma cabeça neuroticamente religiosa, como a dos fariseus, é que chega, e vê a festança, e se nega a entrar..."
Caio Fábio

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Maternidade



Uma coisa que eu tenho aprendido nesse ano de pediatria e g&o é que é preciso muita raça pra ser mãe. Raça pra gestar. Raça pra parir. Raça pra cuidar. Raça pra dedicar sua vida. Mudar completamente de vida. Raça para passar noites em claro. Raça para lutar pela vida do seu filho. Raça, algumas vezes, para se despedir dele. Ser mãe deve ser algo indescritível. Coisa que só mãe sabe o que é ser. Mas é tudo menos fácil. Deve existir algo de sobrenatural na maternidade... a mulher deve receber do alto alguns superpoderes sem os quais seria impossível cumprir sua tarefa. Mas e quando raça é tudo que se tem? Quando não se tem instrução, nem feijão, nem berço, nem luz, nem casa, nem saúde, nem pai, nem nada? (...)



Ah Deus, derrama Tua Graça...

Plantão


Stop.
Foi a vida que parou.
Não foi o automóvel...

domingo, 20 de novembro de 2011

Sobre a Saudade




"Uma saudade infestada  toda a vida sempre tive
que não sei como se vive sem ter saudade de nada.
Até mesmo um camarada quando faz uma partida
Nos deixa por despedida uma saudade encravada.
Não ter saudade de nada é não ter nada na vida.
Pra falar a verdade, neste meu viver sentido,
a minha vida tem sido a morada da saudade
Porque sinto em quantidade de uma pessoa querida
Que foi desaparecida, mas a saudade é dobrada.
Não ter saudade de nada é não ter nada na vida.”
Manoel Filó.

domingo, 16 de outubro de 2011

O Menino do dedo Verde



"Se só viemos ao mundo para ser um dia gente grande, logo as idéias pré-fabricadas se alojam facilmente em nossa cabeça, à medida que ela aumenta... Mas, quando a gente veio à terra com determinada missão, quando fomos encarregados de executar certa tarefa, as coisas já não são tão fáceis. As idéias pré-fabricadas, que os outros manejam tão bem, recusam-se a ficar em nossa cabeça: entram por um ouvido e saem pelo outro, e vão quebrar-se no chão."

 Maurice Druon

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Talvez


"You broke the bonds, and you loosed the chains
Carried the cross and all my shame, You know I believe it
But I still haven't found what I'm looking for"




Agora que me perdi, talvez eu finalmente me encontre.
Talvez, perdida assim, esteja finalmente trilhando o caminho certo
Talvez se perder não seja assim, de todo ruim. Lembra de todas as vezes
que você sabia para onde estava indo, sem chegar a lugar algum?
Talvez esta incerteza que  incomoda seja melhor do que as certezas que pensamos ter.
A certeza acomoda.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Borboleta


As vezes uma tristeza vinda de não sei onde vem me visitar
Pousa no meu peito. Fica alguns minutos. E depois vai embora
Feito borboleta. Feito passarinho.
Procurando alegria para se alimentar

 (....)

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Cora Carolina



Não sei...
Se a vida é curta...
Não sei...
Não sei...

Se a vida é curta ou longa demais para nós
Mas sei que nada do que vivemos tem sentido, 
se não tocarmos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser: colo que acolhe,
braço que envolve, palavra que conforta,
silêncio que respeita, alegria que contagia,
lágrima que corre,  olhar que sacia, amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo: É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela não seja nem curta, 
nem longa demais, mas que seja intensa,
verdadeira e pura... enquanto durar

Cora Carolina

domingo, 25 de setembro de 2011

Explicação II



Hoje de manhã uma lembrança saudosa veio me visitar. Quando eu tinha oito anos, a abertura dos jogos da escola tinha como tema a Declaração Universal dos Direitos Humanos. O nosso paradidático era uma adaptação para crianças por Ruth Rocha. Li meu livrinho ilustrado várias vezes, achava o máximo. Ficava imaginando todas aquelas pessoas inteligentes e de bom coração vindas do mundo todo, para se reunir ali ao redor de uma mesa gigante e bolar um jeito de acabar com todas as injustiças -  Que pessoas legais! Que idéia brilhante para se ter!

A bandeira da turma ia ser escolhida a partir de um mini "concurso", onde todos desenhariam algo sobre o tema da sala: Igualdade. Meu desenho foi simples. Desenhei um índio, um chinês e um africano. Ganhei o concurso  - provavelmente não por ser o melhor, e sim a mais fácil de reproduzir - e desfilei com a bandeira. E eu nunca vou esquecer de como foi importante pra mim naquela noite levar a bandeira que representava, pelo menos para a gente, a igualdade de todas as pessoas do mundo...

Bomba Relógio


Paul Kuczynski , Polônia

In the end It's not about you.



Sit back and in these days remember my ways
Oh will i get out of my cage?Yes i am a slave

Searching for some freedom
So intend to sing them songs to spark, memories
What is a man with no history? Where am I?
Who am I ?What is this place?
We're just spinning in space

I will be light, I will be light,I will be light,I will be light

Time will continue without you. So in the end its not about you.
But,what did you do? Who do you love besides you?
Beside you, many died in the name of vanity
Many die, in their minds eye, for justice
We die for you, and still do
So i say to you, this is nothing new

In one tiny moment in time
For life to shine, to shine. Burn away the darkness
You've got one tiny moment in time for life to shine, to shine
To burn away the darkness



 

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Cure Meu Filho!



Mas se me viesse de noite uma mulher. Se ela segurasse no colo o filho. E disesse: cure meu filho. Eu diria: como é que se faz? Ela responderia:cure meu filho. Eu diria: também não sei. Ela responderia:cure meu filho. Então - então porque não sei fazer nada e porque não me lembro de nada e porque é noite - então estendo a mão e salvo uma criança. Porque é de noite, porque estou sozinha na noite de outra pessoa, porque este silêncio é muito grande para mim, porque tenho duas mãos para sacrificar a melhor delas e porque não tenho escolha
- Clarice Lispector, Legião Estrangeira

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Madrugada




Madrugada. Uma lua distante no Céu.
A cidade apagada, e ela em sua casinha de papel
Está deitada, esperando um motivo para se levantar
Foi abandonada, dos olhos o brilho se apagou

E chama do caximbo foi a luz que encontrou
E a fuligem da fumaça vem da pedra preciosa que consome sua dor
Mas seus sonhos também !

Ela dorme, mas não consegue descansar
Ela anda - indo para nenhum lugar
Sua casinha é tão chique a beira mar....
Sua casinha é tão chique a beira mar....

Mas a pedra, Preciosa não pôde pagar
Então foram na casinha a visitar
E a chama do caximbo foi a luz (...) que a matou.
Pegou fogo sua casinha de papel...
Virou cinza - sua vidinha de papel
Quem vai colorir?

(Quero colorir...)

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Anatomia



"O corpo humano é talvez uma simples aparência, escondendo a nossa realidade e condensando-se, sobre a nossa luz ou sobre a nossa sombra. A realidade é a alma. Bem dizer, o rosto é uma máscara. O verdadeiro homem é o que está debaixo do homem. Mais de uma surpresa haveria se pudessemos vê-lo agachado e escondido debaixo da ilusão que se chama carne. O erro comum é ver no ente exterior um ente real. Tal criaturinha, por exemplo, se pudessemos vê-la como realmente é, em vez de moça, mostrar-se-ia pássaro." 

Victor Hugo 

Faísca


Pedra,
Preciosa era vida
Que te ascendeu
E se apagou.

domingo, 11 de setembro de 2011

Parteira de Belém


(...) E então, a Eternidade, a Infinitude, a Imensidão de todo o Universo, o Brilho de todas as estrelas, todo o Desconhecido, todo Som, toda Poesia, toda a Música, o Princípio de tudo, a Palavra por meio do qual todas as coisas foram criadas. A Árvore da Vida se despiu de toda sua Glória e se transformou em grão. Grão de menino: que nem chora, nem reinvidica e cuja existência poderia muito bem ser ignorada. Quem iria dizer que Ele preparava a maior revolução da história? - grandes revoluções são assim, começam na surdina. O Grão de menino foi se dividindo, e dividindo se multiplicou. Como fez com aquele pedaço de pão e os peixinhos. Grão que vai sendo tecido em girino. Digo, Menino. Mãos e pés, um coração. Galopando.  Mergulhado na escuridão daquele ventre, o Espírito pairava sobre as águas. 

Vieste habitar em nossa pequenitude. Ah Menino Deus, que evento teu nascimento! Todo o Universo parou para te assistir. As estrelas como holofotes em cima de Ti. Que sorte a minha estar ali (...)  E quando chegou a hora, a Vida veio a mim, como que em um mergulho:  azul, pulsante, de olhos  negros bem abertos e com seus bracinhos extendidos tentando me tocar. Eu Te deixei me tocar. Como não o faria?  E nunca me senti tão amada. E nunca senti tanta paz. Como naquela noite inesquecível, em que a tua Vida veio a mim.


sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Telescope


"He looked at his own Soul with a telescope. What seemed all irregular, he saw and showed to be beautiful constellations, and he added to the consciousness hidden worlds within worlds."

-Samuel Taylor Coleridge, Notebooks


quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Essência


"A vida sempre se me afigurou uma planta que extrai sua vitalidade do rizoma; a vida, propriamente dita, não é visível, pois jaz na rizoma. O que se torna visível sobre a terra dura só um verão, depois fenece... Aparição efêmera. Quando se pensa no futuro e no desaparecimento infinito da vida e das culturas, não podemos nos furtar a uma impressão de total futilidade; mas nunca perdi o sentimento da perenidade da vida sob a eterna mudança. O que vemos é a floração, e ela desaparece. Mas o rizoma persiste."


Memórias, Sonhos e Reflexões -  Jung

Adios, Au revoir, Arrivederci...


"Goodbyes always make my throat hurt...I need more hellos."
- Charlie Brown

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Reflexões de Uma Flecha II


No meio do caminho fui tomada pela sensação estranha de que talvez, de alguma maneira que eu não sei explicar, alcançando ou não o meu destino - o Arqueiro esteja lá. Talvez o segredo seja que Ele me lança para Ele mesmo. Talvez mesmo que eu me perca, Ele nunca me perca de vista. Talvez a verdade reconfortante seja que estou saindo e voltando para suas mãos...

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Reflexões de Uma Flecha I


Ele me tira das suas costas. Me põe entre os seus dedos calejados, agora. Fita os olhos no horizonte e sorri. Eu não entendo. Eu nunca entendo. Estica o fio da minha vida... Deve me lançar? Meu coração dispara. Meu fôlego some. Tento me prender, em vão. GRITO. Sou lançada no ar. Tudo passa por mim tão rapidamente: as pessoas, as paisagens, o tempo. E mesmo assim parece que estou há uma enternidade fazendo esse longo percurso entre as mãos do Arqueiro e o lugar onde tenho que chegar. Seja lá qual for a minha linha de chegada, meu porto, meu alvo - eu  não o enxergo. Eu tenho medo. E agora? Nessa parábola em  que fui lançada, em que ponto me encontro? Entre as nuvens. Não quero descer. Tenho medo. O que estará me esperando quando eu chegar? E se eu não chegar? E se eu sem querer me inclinar, e sair da rota e errar o alvo? E se for mais pesada ou mais leve do que deveria? E se eu me perder?

É tão difícil ser flecha (...)

Rrrrrr Arh!



Praticando meu péssimo Français
Apanhando pra todos os Rs

terça-feira, 23 de agosto de 2011

domingo, 21 de agosto de 2011

Pergunta


                                         Faith,
As vezes não te dá um medo medonho de que depois
de tanta busca a gente acabe não encontrando nada, não?

É Tempo de Viajar



"O simbolismo da viagem, particularmente rico, resume-se no entanto na busca da verdade, da paz, da imortalidade, da procura e da descoberta de um centro espiritual. As via gens são igualmente (...) a série de provas preparatórias para a iniciação, encontradas nos mistérios gregos, na maçonaria e ns sociedades secretas chinesas. (...) A viagem exprime um desejo profundo de mudança interior, uma necessidade de experiências novas, mais do que de um deslocamento físico. Segundo Jung, indica uma insatisfação que leva à busca e à descoberta de novos horizontes. (...) Em todas as literaturas, a viagem simboliza, portanto, uma aventura e uma procura, quer se trate de um tesouro ou de um simples conhecimento, concreto ou espiritual. Mas essa procura, no fundo, não passa de uma busca e em alguns casos uma fuga de si mesmo"







domingo, 14 de agosto de 2011

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Menino-do-sorriso-doce [2]



Hoje encontrei o menino-do-sorriso-doce outras vez.
Está tomando a medicação, e me deu um abraço!
A vózinha dele está melhor da queimadura.
Se Deus quiser, ele não tem TB.


Ps.: Para entender esse post melhor, leia o anterior Sorriso Doce :)


segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Uma garota estranha







"La tête ailleurs et ce petit air audacieux
D'un chat sauvage sous une ombrelle.
Elle ne parle pas notre langage.
Elle est toujours dans les nuages."

- La Belle et La Bête

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Abortamento



 Era uma vez uma flor amarela.
Mas ela nem conseguiu vencer nem o tédio, nem a náusea, nem o crack.


- Minha florzinha não teve a sorte da de Drummond.
 

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Explicação



Uma vez, quado eu tinha 4 anos, meu pai me levou pra voar de ultraleve. Eu nunca mais esqueci. O barulho do monomotor, as asinhas coloridas do avião, o cheiro do mar, todo aquele azul, o vendo assanhava meus cachinhos. O braço firme do meu pai me sergurava. Era tão perfeito. Eu estava tão contente. Uma vez, quado eu tinha 4 anos, meu pai me levou pra voar de ultraleve. E eu nunca mais pude por os pés no chão outra vez.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Ensinamento

"Minha mãe achava estudo
a coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento."
Adélia Prado 



sábado, 30 de julho de 2011

Amor, Conhecimento e Compaixão


Três paixões, simples, mas irresistivelmente fortes, tem governado a minha vida: a ânsia de amar, a busca do conhecimento e uma insuportável compaixão pelo sofrimento da humanidade. Essas paixões, como fortes ventos, têm me impelido de um lado para o outro, num caminho caprichoso, por sobre um profundo oceano de angústias, que chega à beira do desespero.

Procurei o amor, primeiro, porque ele trás êxtase êxtase tão imenso que eu ofereceria todo o resto da minha vida em troca de umas poucas horas desse prazer. Eu o procurei, também, porque ele ameniza a solidão aquela terrível solidão na qual uma consciência em pedaços se paralisa nas franjas do mundo num insondável abismo frio e sem vida. Eu o busquei, finalmente, porque na união do amor eu vislumbrei, em mística miniatura, a suposta visão do paraíso que santos e poetas imaginaram. Isto foi o que procurei, e embora possa parecer demasiado bom para a vida humana, foi o que finalmente eu encontrei.

Com a mesma intensidade busquei o conhecimento. Desejei entender os corações dos homens. Eu quis saber por que as estrelas brilham. E tentei apreender o poder pitagórico que faz com que um número flutue por sobre o fluxo. Um pouco disso, não muito, eu consegui. Amor e conhecimento, tanto quanto foi possível, elevaram-me em direção ao paraíso.

Mas a compaixão sempre me trouxe de volta à Terra. Ecos de gritos e de dor reverberam no meu coração. Crianças famintas, vítimas torturadas por opressores, velhos desassistidos como um odioso fardo para seus filhos, e o mundo inteiro de solidão, miséria e sofrimento, fazem um arremedo do que a vida humana deveria ser. Eu desejo minorar o mal, mas não posso, e sofro também.  Esta tem sido a minha vida. Eu a entendo como uma vida digna, e prazerosamente a viveria outra vez se uma oportunidade me fosse dada

Bertrand Russell

terça-feira, 19 de julho de 2011

Losers

“Não temos amado, acima de todas as coisas.
Não temos aceito o que não se entende porque não queremos passar por tolos. Temos amontoado coisas e seguranças por não nos termos um ao outro. Não temos nenhuma alegria que já não tenha sido catalogada. Temos construído catedrais, e ficado do lado de fora pois as catedrais que nós mesmos construímos, tememos que sejam armadilhas.

Não nos temos entregue a nós mesmos, pois isso seria o começo de uma vida larga e nós a tememos. Temos evitado cair de joelhos diante do primeiro de nós que por amor diga: tens medo. Temos organizado associações e clubes sorridentes onde se serve com ou sem soda. Temos procurado nos salvar mas sem usar a palavra salvação para não nos envergonharmos de ser inocentes. Não temos usado a palavra amor para não termos de reconhecer sua contextura de ódio, de amor, de ciúme e de tantos outros contraditórios. Temos mantido em segredo a nossa morte para tornar nossa vida possível. Muitos de nós fazem arte por não saber como é a outra coisa. Temos disfarçado com falso amor a nossa indiferença, sabendo que nossa indiferença é angústia disfarçada. Temos disfarçado com o pequeno medo o grande medo maior e por isso nunca falamos no que realmente importa. Falar no que realmente importa é considerado uma gafe.

Não temos adorado por termos a sensata mesquinhez de nos lembrarmos a tempo dos falsos deuses. Não temos sido puros e ingênuos para não rirmos de nós mesmos e para que no fim do dia possamos dizer “pelo menos não fui tolo” e assim não ficarmos perplexos antes de apagar a luz. Temos sorrido em público do que não sorriríamos quando ficássemos sozinhos. Temos chamado de fraqueza a nossa candura. Temo-nos temido um ao outro, acima de tudo. E a tudo isso consideramos a vitória nossa de cada dia."

Clarice Lispector

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Vai menino, fazer pediatria.

Queria agradecer com esse poeminha aos pediatras - formados e em formação - pelo rodizio APAIXONANTE e pelas experiencias inesqueciveis que tivemos nesses curtos 6 meses. Nos divertimos muito, trabalhamos muito, nos apegamos muito. Amamos, sorrimos e choramos. Nos apresentamos e dissemos adeus. Ganhamos beijos e cartinhas de recompensa. Consolamos mães e ficamos desconsolados. Acordamos de madrugada para pegar bebês, ficamos até 14:00 horas colhendo BTF, e até demos alta no final de semana. Hahaha. E tudo valeu muito apena. Aprendemos MUITO. Somos mais médicos e mais HUMANOS agora. Já estamos com saudade... Valeu, Ddos! Tamo QUASE lá ...





"Vai, menino, Fazer Pediatria.
Vai tratar tosse,
Calcular hidratação,
Vai conferir as doses de vacina,
Prescrever Penicilina,
Ou escolher alguma Cefalosporina
De terceira geração.

Vai, meu amigo,
Trabalhar muito e sempre e todo dia,
Vai dar consulta,
Vai fazer plantão,
Passar a noite acordado,
Atendendo resfriado,
Não custa nada,
Ou quase nada, acredite,
elo menos pro bolso do teu patrão.

Vai, garoto,
Vai dar duro,
Vai cuidar de prematuro,
Falar de amamentação.
Vai, menino,
Com persistência,
Com paciência,
Com overdose de abnegação,
Sem esperar reconhecimento,
Vai trabalhar só pro teu sustento

E pra tua própria satisfação.
Vai, tonto,
Fazer Pediatria,
Vai diagnosticar apendicite,
Reconhecer rapidamente a difteria,
Vai aprender a tratar infecção.
Cuidar de criança com febre,
Cuidar de criança com gastrenterite,
Cuidar de criança com convulsão.
Vai pra batalha,

Mas vai preparado:
Um pequeno deslize,
Tudo errado...
Qualquer engano,
Grande confusão...
Não há lugar para falha ou distração.
Vai, teimoso,
Fazer Pediatria,
O teu destino está na tua mão.

Tu poderias
Fazer Endoscopia,
Neurocirurgia,
Cuidar dos males do coração.
Ou porque não
Tentar Nutrologia,
Dermato, Fisiatria,
Especializar-se em Doenças do Pulmão.

Mas por descuido do teu anjo guia,
Ou por defeito de fabricação,
Por insistência, por teimosia,
Por desacerto ou por distração
Escolheste fazer Pediatria.
Vai em frente.
Honra com fé a tua decisão.

Leva o bom senso como companhia.
Faz do trabalho a tua obrigação.
Mas não te assustes
Se qualquer dia,
Por arrogância,
Por prepotência,
Ou por qualquer outra disritmia,
Te ameaçarem com Ordem de Prisão.
Custa um leão por dia a tua liberdade.
Não abre mão, porém, da tua dignidade.
Não cede um palmo da tua convicção.

Esquece o dano.
Lembra-te do soldado iraquiano
Lutando contra um gigante,
E segue adiante,
Sempre radiante,
Sempre na mão.
E ainda que a febre não abaixe,
E o dado clínico não se encaixe,
E o resultado do exame só aumente a indecisão,

E ainda que o cliente nunca volte,
E ainda que o cinismo nunca falte,
E ainda que te ofendas
Quando um dia sem motivo te chamarem de furão,
Não desanimes.
A fibra e a persistência não são crimes.
Nem é pecado a obstinação.

Vai menino.
A tua vocação é a chave que te solta.
Segue portanto a fazer Pediatria.
Mas segue sempre adiante.

Vai.
Não volta.
Porque não há retorno
Para os Caminhos
Do Coração"


sexta-feira, 17 de junho de 2011

Oração



Souffrance. Sofferenza. Suffering.
Sufrimendua. Sufrimiento.
Sofrimento


A interseção. A ligadura. A cola. O ponto em comum entre todos os homens, e talvez mais do que isso. Talvez aquilo que faça com que nós permaneçamos juntos. O remédio amargo para o nosso egóismo e autosuficiencia. O antidoto que nos cura de nossas mazelas? O veneno que nos rende a elas? Não sei.  Mas uma coisa é certa: ele está perto. Todos os dias me deparo com ele. Percebo que por mais que a gente se proteja, não há quem consiga sair ileso dessa vida (...) 

domingo, 29 de maio de 2011

Curvas


Não é o ângulo reto que me atrai
nem a linha reta, dura, inflexível,
criada pelo homem.

O que me atrai é a curva livre e sensual,
a curva que encontro nas montanhas do meu país,
no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar,
no corpo da mulher preferida.

De curvas é feito todo o universo,
o universo curvo de Einstein.

Oscar Niemeyer

terça-feira, 17 de maio de 2011

All about memories


"Wait,  I wanna remember us just as we are now"



Aí, a gente salva a lembrança
e pode voltar quantas vezes quiser...

domingo, 8 de maio de 2011

Feliz dia das Mães :)



Pra você guardei o amor
Que aprendi vem dos meus pais
O amor que tive e recebi
E hoje posso dar livre e feliz
Céu cheiro e ar na cor que o arco-íris
Risca ao levitar

domingo, 1 de maio de 2011

Epitáfio

"... Se eu tivesse mais alma pra dar
eu daria, isso para mim é viver..."


Linha do Equador - Djavan

sábado, 16 de abril de 2011

Ready... Go.


"... Contudo não há por que pensar que eles ignoram que coisa preciosa é o tempo: costumam dizer aos que amam muitíssimo que estão dispostos a lhes dar parte de seus dias. E realmente dão, sem se aperceberem disto, mas dão de forma a subtraírem vários anos a si, sem aumentar os daqueles. Mas ignoram o fato mesmo de estarem perdendo seus anos, por isso lhes é tolerável a perda de um bem que não é  notado. Ninguém devolverá teus anos, ninguém te fará voltar a ti mesmo. Uma vez principiada, a vida segue seu curso e não reverterá nem o interromperá, não se elevará, não te avisará de sua velocidade. Transcorrerá silenciosamente, não se prolongará por ordem de um rei, nem pelo apoio do povo. Correrá tal como foi impulsionada no primeiro dia, nunca desviará seu curso, nem o retardará. Que sucederá? Tu estás ocupado, e a vida se apressa; por sua vez virá a morte, à qual deverás te entregar, queiras ou não."

Seneca
- Sobre a Breviedade da Vida

Não posso esquecer.


Legal essa maneira que as estrelas têm de morrer caindo do céu, atendendo pedido. Melhor que as sereias que viram espuma na praia. Que jeito mais inútil de morrer. Espuma serve de quê? (...) Mas e a gente que quando morre vira pó? Não. Quando a gente morre não vira pó não, vira lembrança... e mais do que medo da morte, a gente tem medo do esquecimento. Porque  lembrança é tudo aquilo que temos e somos nessa vida.
 





- Mas e lembrança, serve de quê? 


( Diálogos com uma Ninezinha)
 


quinta-feira, 14 de abril de 2011

nada a Declarar.




"...EU PRATICAREI a minha profissão com consciência e dignidade
EU MANTEREI por todos os meios ao meu alcance,
a honra e as nobres tradições da profissão médica;
MEUS COLEGAS serão minhas irmãs e irmãos..."
                                                                                                      (Declaração de Genebra)

Sendo assim um médico não deveria pagar ao outro menos do que ele merece, ou do que é justo. Nem submetê-lo a condições insípidas de trabalho. Um médico não deveria explorar o outro. Nem  humilhá-lo, estando ele graduado ou em formação. Não é honroso. Não é nobre. Não é ético.
 
 
 
 

domingo, 10 de abril de 2011

Sobre a breviedade da vida


Alguns, sem terem dado rumo a suas vidas, são flagrados pelo destino esgotados sonolentos. A vida, se souberes viver, é longa. A vida, se bem empregada, é suficientemente longa e nos foi dada com muita generosidade para a realização de importantes tarefas. Ao contrário, se desperdiçada no luxo e na indiferença, se nenhuma obra é concretizada, por fim, se não se respeita nenhum valor, não realizamos aquilo que deveríamos realizar, sentimos que ela realmente se esvai... Não temos exatamente uma vida curta, mas desperdiçamos uma grande parte dela.



Seneca



terça-feira, 29 de março de 2011

Perguntador


Estranhaza do Mundo

Olho a árvore e indago:
está aí para quê?
O mundo é sem sentido
quanto mais vasto é.
Esta pedra esta folha
este mar sem tamanho
fecham-se em si, me
repelem.
Pervago em um mundo estranho.

Mas em meio à estranheza
do mundo, descubro
uma nova beleza
com que me deslumbro:
é teu doce sorriso
é tua pele macia
são teus olhos brilhando
é essa tua alegria.

Olho a árvore e já
não pergunto "para quê"?
A estranheza do mundo
se dissipa em você

- Ferreira Gullar


quinta-feira, 24 de março de 2011

17:30


O bueiro. As Baratas.
As pessoas nas calçadas
E minhas idéias vagueiam
Em movimentos aleatórios
(...)
Desprovidas de qualquer sentido.

terça-feira, 15 de março de 2011

Menino-do-sorriso-doce



Cansei. Não vou tomar os comprimidos. São muitos. Meu estômago dói, minha boca amarga. Não vou tomar. Disseram que eu ia morrer se parasse... Mas é mentira - eu acho. Eu já parei uma vez e tudo que me aconteceu foi ficar uma semana no hospital. Não ligo de ficar internado desde que minha vó fique comigo. Coitada da vó. Fica perdendo tempo comigo, enquanto nós somos cinco bocas para alimentar e ela é sozinha. Sozinha, soziiiiiiinha não. Que eu sempre ando com ela e as vezes vou ajudar na feira vendendo fruta enquanto ela vai pescar. Até quem tava no hospital esses dias era ela. Se queimou com o botijão de gás, pegou braço inteiro - carne-viva, dói na gente só de ver. Ela disse que também nem me enxerga mais direito agora. O médico mandou ela descansar o braço por um tempo, mas lá vai ela pescar. Sem falar nos comprimidos que ela toma pra mó do coração, do açucar no sangue, da dor nas juntas. Ela sempre toma os dela. Mas os meus  comprimidos amargam e meu estômago dói. Não quero morrer. Minha mãe tinha isso também, mas ela morreu (...)  Será que foi porque amargava nela também?   (...)



Ô menino do sorriso-doce-de-algodão-doce, por que a vida amarga?

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Qual o propósito?


There is one thing in this world that you must never forget to do. If you forget everything else and not this, there is nothing to worry about; but if you remember everything else and forget this, then you will have done nothing in your life. It is as if a King has sent you to some country to do a task, and you perform a hundred other services, but not the one He sent you to do. So human beings come to this world to do particular work. That work is the purpose, and each is specific to the person. If you do not do it, it is as though a  priceless Indian sword were used to slice rotten meat. It is a golden bowl being used to cook turnips, when one filing from the bowl could buy a hundred suitable bowls. It is a knife of the finest tempering nailed into a wall to hang things on.

From “The Real Work,” by Persian poet and
mystic Jalal ad-Dın Muhammad Rumi,
aka Rumi (1207–1273)

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Obsessivo-Compulsivo



Para tantas perguntas que eu não sei responder
E para aquelas que nem sei fazer ainda
Para não cometer os erros que eu vejo
Para ser como aqueles que eu admiro
Para o bem dos meus pacientes
E para o meu próprio bem
Para um amanhã tranquilo

Estudar, Estudar, Estudar (...)

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Devocional: Cold Play, The Scientist

                      
Come up to meet You, tell You I'm sorry
I don't know how lovely You are
I had to find You, tell you I need You
Please tell me You set me apart
Tell You my secrets, And ask you my questions
Oh let's go back to the start


Running in circles, Coming in tails
Heads on a science apart
Nobody said it was easy
It's such a shame for me to part
Nobody said it was easy
No one ever said it would be this hard
Oh take me back to the start


I was just guessing at numbers and figures
Pulling the puzzles apart
Questions of science, science and progress
Don't speak as loud as Your heart
And tell me You love me, Come back and haunt me

Oh when I rush to the start

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Contratransferência


Ele era de poucos sorrisos. Na verdade tinha sempre no rosto uma expressão bastante séria. Tinha dois olhos negros hipnotizantes. Um olhar angustiado e profundo, tão profundo, que me intrigava e me fazia querer advinhá-lo. Ele me cativava. Queria sempre saber como ele estava, o que lhe havia acontecido. Ouvir seu coração. As vezes até acordá-lo. Sempre abusado. Sempre cansado. Cansado de quê? De tanta coisa. Cansado da vida talvez. E ele não tinha nome. Nem ninguém - Mentira, ele tinha a mim - Na verdade até tinhamos muito em comum, eu acho. Ele não tinha mãe. E eu? Eu não tinha um bebê (...)