domingo, 25 de setembro de 2011

Explicação II



Hoje de manhã uma lembrança saudosa veio me visitar. Quando eu tinha oito anos, a abertura dos jogos da escola tinha como tema a Declaração Universal dos Direitos Humanos. O nosso paradidático era uma adaptação para crianças por Ruth Rocha. Li meu livrinho ilustrado várias vezes, achava o máximo. Ficava imaginando todas aquelas pessoas inteligentes e de bom coração vindas do mundo todo, para se reunir ali ao redor de uma mesa gigante e bolar um jeito de acabar com todas as injustiças -  Que pessoas legais! Que idéia brilhante para se ter!

A bandeira da turma ia ser escolhida a partir de um mini "concurso", onde todos desenhariam algo sobre o tema da sala: Igualdade. Meu desenho foi simples. Desenhei um índio, um chinês e um africano. Ganhei o concurso  - provavelmente não por ser o melhor, e sim a mais fácil de reproduzir - e desfilei com a bandeira. E eu nunca vou esquecer de como foi importante pra mim naquela noite levar a bandeira que representava, pelo menos para a gente, a igualdade de todas as pessoas do mundo...

Bomba Relógio


Paul Kuczynski , Polônia

In the end It's not about you.



Sit back and in these days remember my ways
Oh will i get out of my cage?Yes i am a slave

Searching for some freedom
So intend to sing them songs to spark, memories
What is a man with no history? Where am I?
Who am I ?What is this place?
We're just spinning in space

I will be light, I will be light,I will be light,I will be light

Time will continue without you. So in the end its not about you.
But,what did you do? Who do you love besides you?
Beside you, many died in the name of vanity
Many die, in their minds eye, for justice
We die for you, and still do
So i say to you, this is nothing new

In one tiny moment in time
For life to shine, to shine. Burn away the darkness
You've got one tiny moment in time for life to shine, to shine
To burn away the darkness



 

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Cure Meu Filho!



Mas se me viesse de noite uma mulher. Se ela segurasse no colo o filho. E disesse: cure meu filho. Eu diria: como é que se faz? Ela responderia:cure meu filho. Eu diria: também não sei. Ela responderia:cure meu filho. Então - então porque não sei fazer nada e porque não me lembro de nada e porque é noite - então estendo a mão e salvo uma criança. Porque é de noite, porque estou sozinha na noite de outra pessoa, porque este silêncio é muito grande para mim, porque tenho duas mãos para sacrificar a melhor delas e porque não tenho escolha
- Clarice Lispector, Legião Estrangeira

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Madrugada


video


Madrugada. Uma lua distante no Céu.
A cidade apagada, e ela em sua casinha de papel
Está deitada, esperando um motivo para se levantar
Foi abandonada, dos olhos o brilho se apagou

E chama do caximbo foi a luz que encontrou
E a fuligem da fumaça vem da pedra preciosa que consome sua dor
Mas seus sonhos também !

Ela dorme, mas não consegue descansar
Ela anda - indo para nenhum lugar
Sua casinha é tão chique a beira mar....
Sua casinha é tão chique a beira mar....

Mas a pedra, Preciosa não pôde pagar
Então foram na casinha a visitar
E a chama do caximbo foi a luz (...) que a matou.
Pegou fogo sua casinha de papel...
Virou cinza - sua vidinha de papel
Quem vai colorir?

(Quero colorir...)

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Anatomia



"O corpo humano é talvez uma simples aparência, escondendo a nossa realidade e condensando-se, sobre a nossa luz ou sobre a nossa sombra. A realidade é a alma. Bem dizer, o rosto é uma máscara. O verdadeiro homem é o que está debaixo do homem. Mais de uma surpresa haveria se pudessemos vê-lo agachado e escondido debaixo da ilusão que se chama carne. O erro comum é ver no ente exterior um ente real. Tal criaturinha, por exemplo, se pudessemos vê-la como realmente é, em vez de moça, mostrar-se-ia pássaro." 

Victor Hugo 

Faísca


Pedra,
Preciosa era vida
Que te ascendeu
E se apagou.

domingo, 11 de setembro de 2011

Parteira de Belém


(...) E então, a Eternidade, a Infinitude, a Imensidão de todo o Universo, o Brilho de todas as estrelas, todo o Desconhecido, todo Som, toda Poesia, toda a Música, o Princípio de tudo, a Palavra por meio do qual todas as coisas foram criadas. A Árvore da Vida se despiu de toda sua Glória e se transformou em grão. Grão de menino: que nem chora, nem reinvidica e cuja existência poderia muito bem ser ignorada. Quem iria dizer que Ele preparava a maior revolução da história? - grandes revoluções são assim, começam na surdina. O Grão de menino foi se dividindo, e dividindo se multiplicou. Como fez com aquele pedaço de pão e os peixinhos. Grão que vai sendo tecido em girino. Digo, Menino. Mãos e pés, um coração. Galopando.  Mergulhado na escuridão daquele ventre, o Espírito pairava sobre as águas. 

Vieste habitar em nossa pequenitude. Ah Menino Deus, que evento teu nascimento! Todo o Universo parou para te assistir. As estrelas como holofotes em cima de Ti. Que sorte a minha estar ali (...)  E quando chegou a hora, a Vida veio a mim, como que em um mergulho:  azul, pulsante, de olhos  negros bem abertos e com seus bracinhos extendidos tentando me tocar. Eu Te deixei me tocar. Como não o faria?  E nunca me senti tão amada. E nunca senti tanta paz. Como naquela noite inesquecível, em que a tua Vida veio a mim.


sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Telescope


"He looked at his own Soul with a telescope. What seemed all irregular, he saw and showed to be beautiful constellations, and he added to the consciousness hidden worlds within worlds."

-Samuel Taylor Coleridge, Notebooks


quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Essência


"A vida sempre se me afigurou uma planta que extrai sua vitalidade do rizoma; a vida, propriamente dita, não é visível, pois jaz na rizoma. O que se torna visível sobre a terra dura só um verão, depois fenece... Aparição efêmera. Quando se pensa no futuro e no desaparecimento infinito da vida e das culturas, não podemos nos furtar a uma impressão de total futilidade; mas nunca perdi o sentimento da perenidade da vida sob a eterna mudança. O que vemos é a floração, e ela desaparece. Mas o rizoma persiste."


Memórias, Sonhos e Reflexões -  Jung

Adios, Au revoir, Arrivederci...


"Goodbyes always make my throat hurt...I need more hellos."
- Charlie Brown